sábado, 31 de maio de 2008

Neve.


Ando morrendo aos poucos pelas ruas
A cada trago eu morro um pouco mais
Os dias vão passando e eu fico ali sentada
Naquele ponto de ônibus
O inverno nem chegou e a neve já começa
A cair no meu peito
Congelando as pontas dos meus dedos, do meu jeito
Parei no tempo, no vazio
Meus dentes amarelando e dentro de mim esse frio
A juventude dos meus ossos desistiu de mim
E é por isso que eu te digo enfim
O amor é como um balão que se solta da mão
Segure-se em mim e voe comigo então
Não sabe ouvir um não
Dentro do coração, onde antes não havia nenhum espaço
Falta um pedaço
Metade da laranja que virou bagaço
Por quanto tempo esperar o tempo passar?
E quanto o tempo passa, passa tanto tempo!
Dentro das voltas do relógio dou mais voltas que
Devo dar
E no meio dessas voltas,por quanto tempo ainda vou esperar?

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