terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Era só Liberdade.

Eu te pedi. Eu implorei, eu te falei, eu gritei e você não me escutou.
Eu disse e repeti de novo e de novo e de novo. E não, você não me escutou...
E então eu chorei, gritei, briguei... E você escutou? Não.
E então eu me cansei.
É, é assim que as coisas funcionam.
E que dia eu te dei o direito de falar assim comigo? Eu nunca te dei faca nenhuma
para me ferir, muito menos para se ferir. O que você faz com as suas próprias facas
eu já não me importo mais, é assim. Bem assim.
Uns dizem que é cruel, outros dizem que é maldade. Fala-se muito em frieza, em indiferença.
Eu não concordo. O que foi feito está feito, o que foi marcado marcado está e marcado estará
por toda vida. Tiraremos as coisas ruins e lembraremos das boas.
Não, é apenas a pura realidade.
Um dia você vai se lembrar disso tudo, e me entenderá. Quando isso acontecer, eu saberei.
Apenas tente escutar as próximas.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ironia Agridoce

Paciência, paciência. Onde você está, minha querida? Parece que eu vou explodir se eu tiver que pensar em mais alguma coisa. Os dias passaram, os anos passaram, e então? A gente vai ficando aqui paradas e pensando sobre como a vida poderia ser melhor e o que faz? Faz porra nenhuma. Olha, Ivona, se você não der um jeito de aparecer pra me ajudar com essa bagunça eu não vou aguentar sozinha. Isso é que dá se dividir em duas, eu agora tenho que lidar com você, Ivona. Que some, sempre some. Deve estar por aí, lendo um livro ou pensando em algum jeito de me enloquecer mais. E o meu estômago está aqui dentro brigando com todo o resto dos meus órgãos e queimando tudo que vê pela frente enquanto eu sequer consigo escutar uma banda diferente. E esse frio é maravilhoso, mas quando seus músculos começam a se assemelhar à duras tábuas de madeira as coisas começam a te irritar. E é isso que eu estou hoje, irritada. Eu não sou egoísta, eu só não gosto de invasões. De qualquer tipo: Mental, material, pessoal... É que existem pessoas que querem a mão, o braço, a casa e um café pra viagem, por favor. Não entre sem ser convidado por mim, por favor. E limpe os pés antes de entrar!


Ironia - Expressão ou gesto que dá a entender o contrário do que significa; sarcasmo.
Agridoce - Simultaneamente ácido e doce.


É só isso. Detesto me expor desse jeito. É desnécessário.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Planos, planos. Foram muitos, sonhos, grandes sonhos.
Do apartamento que já foi mobiliado tantas e tantas vezes pela minha mente fértil, os quartos, as coisas todas em seus devidos lugares. A cozinha azul, sempre, azul nas paredes, azul nos detalhes, Azul em tudo. As cortinas,  o tapete da sala. A televisão, tinha que ser uma grande, dessas que se passa uma vida inteira pagando... No quarto de dormir, a parede vermelha. Dizem que tem uma tinta que tem aço, eu acho, e que dá pra pôr coisas na parede que nem na geladeira. Eu adoro ímãs. A cama gigante, branca. Oncinha por toda parte, zebrinha, animais, pelúcia. No outro quarto um studio, minhas coisinhas, revestido, santuário. Desce até a garagem, meu carro preto, as rodas, um som legal... Tantas imagens construidas delicadamente, pacientemente e desfeitas junto com a calculadora e alguns conselhos. Se são bons, agora não sei, daqui a um tempo eu conto.

Eu estou cansada disso tudo há tempo demais, reclamo das mesmas coisas há tempo demais.
Quando a bomba explodir eu te protejo e deixo queimar todo o resto.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O celular desperta, corre pro chuveiro, acorda. Hoje eu não estou afim de tomar café. O tempo de uma música, pronto, chegou. Limpar, ligar, sentar. "Bom-dia-faz-isso-aqui-pra-mim", assim, cuspido, sem nem respirar. Começo a fazer, "imprime isso aqui pra mim, seis cópias de cada". Ok, para, imprime, entrega. Continuo. "Preciso de uma pesquisa em cima disso aqui". Ok, para, pesquisa, entrega. Continuo. "Eu preciso disso antes do almoço". Eu sei, eu sei. "Encaixa aquele modelo na outra sola, o cliente pediu alteração". Para, altera, entrega, manda e-mail, confirma. Continuo. "Vamos almoçar que eu tenho que passar lá antes". Ok, depois do almoço eu termino.Volto do almoço, continuo. "Vem cá um pouquinho, como é que éque ficou aquele modelo?" Enviei, confirmei, recebeu. "Respondeu?" Não sei. "Entra no seu e-mail" Respondeu. Mais alteração. Paro, altero. Continuo. Tá pronto. "Corrige isso, isso, isso, isso, isso, isso, e essa etiqueta aqui, entendeu?" Entendi. "Entendeu tudo?" Entendi tudo. Corrige, telefone, entrega, e-mail, confirma. "Desenha outra língua aqui" Que tipo? "Tipo essa mesmo" Tá, desenho. Desenha, escaneia, digitaliza, põe relevo, tá bom? "É, tá. Entrega pro cliente. E aqui, faz isso, pra antes das cinco..." Ah, tá.

Essa semana vai ser longa.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quando o desejo explode num beijo e a saudade sufoca a sanidade
A loucura vira prova pura de amor, com ardor,
Nas promessas, essas que ardem nas tardes
De verdade, com vontade onde nem o céu é limite, o véu
É certo, é tão perto, tão bonito, do infinito
O mundo enche de flores e cores.
Com o toque vem o desfoque, o sorriso estampado, entalhado.
O prazer consumado.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eu nunca tive nenhuma crítica séria sobre mim ou minhas habilidades - ou coisas que eu achava que sabia fazer, chame como quiser. Entre os "hum" do meu pai e as mínimas correções ortográficas da minha professora de português, entre um pequeno incentivo de um tatuador e os comentários exagerados e desestimuladores de uma ex, e, claro, um grande apoio de uma grande amiga, eu fui criando essa coisa toda que eu não sei mais o que é: um aglomerado de muitas coisas, mas nenhuma em especial. Nunca fui a melhor jogadora do time de futebol da escola ou a mais inteligente da classe. O segundo lugar me era mais familiar do que eu gostaria e eu nunca ganhei o prêmio de quem pegava mais livros na biblioteca. Não consigo virar o copo de cerveja mais rápido do que todos da mesa e não tenho a mínima sorte para sorteios. Brinco muito em vários instrumentos mas não mereço destaque em nenhum deles. Não sou nem um pouco considerada como o que chamam de dançarina, não canto bem mas também não acho que sou desafinada a ponto de quebrar cristais. Não dava vexames nas peças de teatro mas também nunca fui aclamada e aplaudida de pé. Não sou comediante mas até consigo arrancar algumas risadas das besteiras que falo. Nunca escrevi um livro e até pintei alguns quadros que eu acho legais. Não sou a Miss saúde 2009: eu fumo, bebo, gosto de sair e não sou viciada em nada que vá me destruir dentro de alguma boate. Não pratico esportes mas mantenho ainda uma boa parte do bom fôlego que tinha quando mais nova. Gosto muito de falar, mas sou melhor em ouvir.


Tudo isso nunca me impediu de aprender nem de crescer a meu jeito. Se eu errar vou continuar tentando e se achar que acertei, talvez tente fazer melhor, talvez ache o suficiente. Do meu mundo sei bem, e o melhor que sei fazer é saber de mim.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Havia seu cheiro por toda parte, e eu não queria voltar pra casa sozinha. Eu precisava de você ali, eu só queria te olhar o resto da noite, te contemplar. Minha mente e meu corpo te procuravam involuntariamente por mais que eu me fizesse e me obrigasse saber que você já tinha ido embora, eu não tinha mais companhia, não ali, naquela hora, não você. Aquelas lágrimas saíram tristes, doloridas, salgadas demais. É difícil de ver, é intenso para sentir, o rosto formiga a vergonha da livre demonstração de fraqueza, aquela prova de amor e o corpo agarrado, que parecia que nada ia soltar. Mas soltou, e ela foi, mas foi só o corpo. Sua voz ainda estava ali, no travesseiro o formato exato dos seus cabelos e se eu fechasse os olhos um pouquinho eu ainda sentia aquele abraço por trás que você me deu na cozinha, eu me virei, você estava sorrindo... Que a saudade virou líquido dentro de mim e insiste eminundar meus olhos, grossa, quente, forte.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Encanta o teu encanto
E na calada sobe o gosto.
Canto sobre o teu rosto,
Suposto amor dado,
Não roubado, enganado,
Imitado. É verdadeiro
Amor gritado e forte.
Se foi a sorte
De ter encontrado
Uma verdade, ou foi a
Saudade de ter deixado
Fica questionado,
Sem se preocupar com o
Resultado. A felicidade
Do coração alado
Encanta o teu encanto
De ter deixado ser
Levado pelo céu
No infinito, tão bonito
Bem escrito e bem guardado
Onde não tranca nem destranca,
Só é germinado e cuidado
Sem ser tocado, onde cresce
E floresce sem ser podado
O encanto de um encanto
Do amor bem amado.