Planos, planos. Foram muitos, sonhos, grandes sonhos.
Do apartamento que já foi mobiliado tantas e tantas vezes pela minha mente fértil, os quartos, as coisas todas em seus devidos lugares. A cozinha azul, sempre, azul nas paredes, azul nos detalhes, Azul em tudo. As cortinas, o tapete da sala. A televisão, tinha que ser uma grande, dessas que se passa uma vida inteira pagando... No quarto de dormir, a parede vermelha. Dizem que tem uma tinta que tem aço, eu acho, e que dá pra pôr coisas na parede que nem na geladeira. Eu adoro ímãs. A cama gigante, branca. Oncinha por toda parte, zebrinha, animais, pelúcia. No outro quarto um studio, minhas coisinhas, revestido, santuário. Desce até a garagem, meu carro preto, as rodas, um som legal... Tantas imagens construidas delicadamente, pacientemente e desfeitas junto com a calculadora e alguns conselhos. Se são bons, agora não sei, daqui a um tempo eu conto.
Eu estou cansada disso tudo há tempo demais, reclamo das mesmas coisas há tempo demais.
Quando a bomba explodir eu te protejo e deixo queimar todo o resto.
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