terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eu nunca tive nenhuma crítica séria sobre mim ou minhas habilidades - ou coisas que eu achava que sabia fazer, chame como quiser. Entre os "hum" do meu pai e as mínimas correções ortográficas da minha professora de português, entre um pequeno incentivo de um tatuador e os comentários exagerados e desestimuladores de uma ex, e, claro, um grande apoio de uma grande amiga, eu fui criando essa coisa toda que eu não sei mais o que é: um aglomerado de muitas coisas, mas nenhuma em especial. Nunca fui a melhor jogadora do time de futebol da escola ou a mais inteligente da classe. O segundo lugar me era mais familiar do que eu gostaria e eu nunca ganhei o prêmio de quem pegava mais livros na biblioteca. Não consigo virar o copo de cerveja mais rápido do que todos da mesa e não tenho a mínima sorte para sorteios. Brinco muito em vários instrumentos mas não mereço destaque em nenhum deles. Não sou nem um pouco considerada como o que chamam de dançarina, não canto bem mas também não acho que sou desafinada a ponto de quebrar cristais. Não dava vexames nas peças de teatro mas também nunca fui aclamada e aplaudida de pé. Não sou comediante mas até consigo arrancar algumas risadas das besteiras que falo. Nunca escrevi um livro e até pintei alguns quadros que eu acho legais. Não sou a Miss saúde 2009: eu fumo, bebo, gosto de sair e não sou viciada em nada que vá me destruir dentro de alguma boate. Não pratico esportes mas mantenho ainda uma boa parte do bom fôlego que tinha quando mais nova. Gosto muito de falar, mas sou melhor em ouvir.


Tudo isso nunca me impediu de aprender nem de crescer a meu jeito. Se eu errar vou continuar tentando e se achar que acertei, talvez tente fazer melhor, talvez ache o suficiente. Do meu mundo sei bem, e o melhor que sei fazer é saber de mim.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Havia seu cheiro por toda parte, e eu não queria voltar pra casa sozinha. Eu precisava de você ali, eu só queria te olhar o resto da noite, te contemplar. Minha mente e meu corpo te procuravam involuntariamente por mais que eu me fizesse e me obrigasse saber que você já tinha ido embora, eu não tinha mais companhia, não ali, naquela hora, não você. Aquelas lágrimas saíram tristes, doloridas, salgadas demais. É difícil de ver, é intenso para sentir, o rosto formiga a vergonha da livre demonstração de fraqueza, aquela prova de amor e o corpo agarrado, que parecia que nada ia soltar. Mas soltou, e ela foi, mas foi só o corpo. Sua voz ainda estava ali, no travesseiro o formato exato dos seus cabelos e se eu fechasse os olhos um pouquinho eu ainda sentia aquele abraço por trás que você me deu na cozinha, eu me virei, você estava sorrindo... Que a saudade virou líquido dentro de mim e insiste eminundar meus olhos, grossa, quente, forte.