Eu nunca tive nenhuma crítica séria sobre mim ou minhas habilidades - ou coisas que eu achava que sabia fazer, chame como quiser. Entre os "hum" do meu pai e as mínimas correções ortográficas da minha professora de português, entre um pequeno incentivo de um tatuador e os comentários exagerados e desestimuladores de uma ex, e, claro, um grande apoio de uma grande amiga, eu fui criando essa coisa toda que eu não sei mais o que é: um aglomerado de muitas coisas, mas nenhuma em especial. Nunca fui a melhor jogadora do time de futebol da escola ou a mais inteligente da classe. O segundo lugar me era mais familiar do que eu gostaria e eu nunca ganhei o prêmio de quem pegava mais livros na biblioteca. Não consigo virar o copo de cerveja mais rápido do que todos da mesa e não tenho a mínima sorte para sorteios. Brinco muito em vários instrumentos mas não mereço destaque em nenhum deles. Não sou nem um pouco considerada como o que chamam de dançarina, não canto bem mas também não acho que sou desafinada a ponto de quebrar cristais. Não dava vexames nas peças de teatro mas também nunca fui aclamada e aplaudida de pé. Não sou comediante mas até consigo arrancar algumas risadas das besteiras que falo. Nunca escrevi um livro e até pintei alguns quadros que eu acho legais. Não sou a Miss saúde 2009: eu fumo, bebo, gosto de sair e não sou viciada em nada que vá me destruir dentro de alguma boate. Não pratico esportes mas mantenho ainda uma boa parte do bom fôlego que tinha quando mais nova. Gosto muito de falar, mas sou melhor em ouvir.
Tudo isso nunca me impediu de aprender nem de crescer a meu jeito. Se eu errar vou continuar tentando e se achar que acertei, talvez tente fazer melhor, talvez ache o suficiente. Do meu mundo sei bem, e o melhor que sei fazer é saber de mim.
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