sexta-feira, 28 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
- Decidi.
- O quê?
- Azul. Vou pintar a parede de azul.
- Ah...
- Você tinha dito alguma coisa?
- É, azul é uma boa cor...
- Entrega para a Sra. Tâmara!
- Ah, sim, sou eu.
- Assine aqui... Ganhando presentes?
- Não, não. É só mais uma decepção. Mas eu já estava esperando.
- E assine aqui também, por favor... Onde eu coloco?
- Pode jogar ali naquele monte do canto, junto com as outras. Obrigada.
- De nada. Tenha um bom dia, senhora.
- Você também.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Eu sei, os dias vão passar
De tudo, só as lembranças ficarão
Só preciso inventar
Um motivo pra não viver em vão.
Não vou esperar você ligar
Nem esperar que um dia mude
E um dia quero poder pensar
Que eu fiz tudo, tudo que pude
Pra que tentar se nada mais vai mudar?
Pra que fingir se no final você vai fugir?
Me incomodar se um dia vai voltar ou não?
Meu coração é só um brinquedo em suas mãos.
Decide e Parte.
Por um segundo, quase esquecemos quem somos
Ficar do meu lado, um crime hediondo
Ouvir suas histórias, conhecer seus planos
Conhecer todo seu corpo, não ouço isso há anos
E pensar que há uns dias, não ouviu o que eu falava
Pensar o tempo todo, a semana inteira eu sonhava
As coisas mudam, você também
Só uma pessoa, algo muito além
Se ter ou roubar, eu sabia
Te perder ou ganhar, eu faria
Do começo ao fim, mudaria
Fique longe de mim, mataria
De minuto em minuto, sufoca a alma
Acende um cigarro, sua voz acalma
Mais um gole, elas dão as mãos
Impestuoso, cai tudo no chão
Dia após dia, só nela falava
Domingo à noite com a alma lavada
E um dia feliz, um toque sensível
Olhe para ela, eu sou invisível
sábado, 31 de maio de 2008
Hoje eu acordei e não gostava mais de você.
Estava ali, você, na porta do meu coração.
Do lugar onde você tinha se adaptado, se mudado, feito dali a sua casa, e
lá estava você, trancada do lado de fora por que eu tinha trocado as fechaduras.
Você não entra mais, sua chave não destranca mais.
Não te conto mais meus segredos, e você deixou de ser aquilo que eu sempre sonhei ser.
As pessoas mudam, e você não acredita.
Eu não te dou mais satisfações, eu não dou mais satisfações a ninguém.
Eu ouço as músicas que eu quero, você não me molda mais.
Eu te agradeço, mas sinto muito: dei as novas chaves para outra pessoa.
Lá vem ela, Lá vem ela!
Olhe o orgulho do tamanho do mundo.
Olhe só por um segundo,
Teremos todos pena dela.
Olhe ali, olhe ali:
(Vai) E quem quiser ensinar,
(Vai) Quem quiser escutar,
Pra você ela vai mentir
Não se faz, Não se faz...
Olha os modos, ah, menina!
Com quem quer te ajudar,
Para todos que fascina.
Volte atrás, volte atrás,
Diga tudo novamente.
Uma chance: algo mais,
Um amor, de repente.
Neve.
Ando morrendo aos poucos pelas ruas
A cada trago eu morro um pouco mais
Os dias vão passando e eu fico ali sentada
Naquele ponto de ônibus
O inverno nem chegou e a neve já começa
A cair no meu peito
Congelando as pontas dos meus dedos, do meu jeito
Parei no tempo, no vazio
Meus dentes amarelando e dentro de mim esse frio
A juventude dos meus ossos desistiu de mim
E é por isso que eu te digo enfim
O amor é como um balão que se solta da mão
Segure-se em mim e voe comigo então
Não sabe ouvir um não
Dentro do coração, onde antes não havia nenhum espaço
Falta um pedaço
Metade da laranja que virou bagaço
Por quanto tempo esperar o tempo passar?
E quanto o tempo passa, passa tanto tempo!
Dentro das voltas do relógio dou mais voltas que
Devo dar
E no meio dessas voltas,por quanto tempo ainda vou esperar?
sábado, 24 de maio de 2008
Tempos e Tempos.
Mas é verdade. Agora a gente só sabe beber e fumar. Do resto, que se foda. Pode passar a semana inteira dentro de uma lata de lixo, mas se tiver dinheiro pra sair no fim de semana "eu sou a pessoa mais feliz do mundo". Todos escravos do dinheiro e da vaidade. Saindo armados, pra caçar. Inventam modas, se acham os mais cool e diferentes de todo mundo. E eu sou assim também.
Até os mais novos andam seguindo essas coisas estúpidas. Eu juro que eu sinto saudade do meu primeiro namorado e daquela época. Nossa, eu era tão inocente: achava que ia me casar com ele e que ele era o homem da minha vida. Ok, decepções todo mundo tem e isso nunca foi desculpa pra ninguém sair dando tiros no céu da boca, mas será que é só eu que tenho essa impressão de que me tornei quase tudo aquilo que eu tanto odiava? Vou te contar... Eu passava a semana inteira estudando (sério!) e esperando chegar sexta-feira. Ele me ligava algumas vezes por semana, pra falar do emprego (5 anos mais velho) e eu resmungava algumas coisas da escola. Sexta - feira, 6 horas, tava lá com mala e cuia esperando já dentro do carro, aquela hora interminável de faróis e carros e meu pai escutando 'A Voz do Brasil' na rádio. Chegou, corre, tomar banho, perfume, ai, não tenho blusa! Ia descendo a rua toda feliz, passava na padaria pra comprar bala (sempre Frutella de morango e creme de leite). Chegava na pracinha e ele já estava lá. Sempre estava lá. Entre nós dois não havia muita conversa, então eu o ouvia conversar com os amigos dele... Só. Sem sexo, sem maldade, sem nada. Domingo ia embora, começava tudo de novo. Ficou assim por onze meses, até que... Bom, quem sabe, sabe.
Fico vendo esses meninos (as) de quinze anos na maior perversão despirocados bebendo, fumando, cheios de piercings e tatuagens, se drogando, se prostituindo (ok, exagero), mas... Ai, chega a dar agonia! Esses meninos com poucos anos que já fizeram de tudo, de quatro, de lado, de frente, de costas, e eu que nunca tinha bebido Mojito.
Estamos chegando na parte de realização de sonhos. Tem dias que eu penso sobre como a maioria das coisas com as quais eu tanto sonhei quando criança eu já tenho... Coisas bobas, desde pintar o cabelo, ter um bermudão, ir pra São Paulo a comprar um laptop, morar sozinha, fazer compras. Legal, né?
É, minha amiga, corra atrás dos seus sonhos. Antes que o tempo seja mais rápido do que você.
A Despedida.
Será que você poderia, por favor, tirar toda essa tralha que você deixou aqui dentro do meu coração?
São suas coisas, você precisa delas e eu ando precisando dar uma faxina aqui dentro...
Você poderia partir meu colchão ao meio? Depois que você se foi eu tenho achado essa cama grande demais pra mim. Sem você eu fiquei pequena, eu não caibo mais ali. E você trocaria os lençóis também? O seu cheiro ainda está muito forte, anda me dando náuseas.
Você poderia também trocar o meu xampu, perfume e desodorante? Trocar meu creme dental, o meu sabonete, meu cabelo, meu rosto? Eu me olho no espelho e ainda te vejo chegando por trás de mim com a câmera fotográfica dizendo que eu fico linda até mesmo escovando os dentes.
Você sabe como se faz pra trocar de nome? Toda vez que eu escuto meu nome me vem na cabeça todos aqueles apelidinhos que a gente tinha, o nome dos nossos futuros filhos.
Tem algum remédio pra dor? Não, não é pra dor de cabeça, é uma dor estranha, bem aqui no peito... Não sei explicar bem o que é, mas eu acho que já senti isso antes, você se lembra? Será que existe alguma comida nova no supermercado? Alguma que a gente nunca tenha se divertido preparando, que você não tenha feito algum comentário sobre como você gosta de me ver cozinhar?
Eu posso ir viver a minha vida agora? Sozinha? Você sempre fez tudo por mim, eu mal me lembro como é que se faz as coisas mais, não sei nem como vou me levantar da cama sem ouvir o seu 'bom dia' rouco amanhã pela manhã.
Você viu a previsão do tempo? Nos próximos dias deu que vai cair uma tempestade em meus olhos, tudo vai transbordar, um desastre. Não, não estou preocupada. Nem preparada. Mas sempre tem aliados que ajudam muito nessas catástrofes. Por falar em aliados, não sobrou nenhuma daquelas cervejas que a gente adorava tomar no fim de semana? Nossa, isso cairia muito bem agora.
E nem carne eu quero ver mais, acho que vou virar vegetariana. Vou mudar o cabelo, vou comprar roupas novas, vou renovar todo o estoque de amor que eu tinha guardado na geladeira e que venceu o prazo de validade. Eu falei pra você aproveitar aquilo lá, e olhe só... Vou ter que jogar tudo fora agora.
Você não teria nenhuma borracha por aí, teria? Queria apagar seu rosto tão vivo na minha cabeça, pra eu não me pegar mais uma vez dando uma olhadinha escondida pra ele. Eu sou teimosa, você me conhece: não escuto nem a mim mesma.
Sabe de uma coisa? Acho que vou deletar todas aquelas músicas do meu computador. Pra quê deixar elas ali se elas são piores que espinhos cravando no meu peito refrescando a vívida memória daquele momento, daquele segundo, da gente sacudindo dentro do ônibus. A gente andava muito de ônibus, né? Ainda bem que eu posso ir caminhando até o trabalho, já pensou?!
E me arrume uma daquelas caixinhas que você adora, um potinho, um frasquinho, que é pra eu te colocar ali dentro e esconder bem escondido. Pra eu me esquecer onde foi que eu guardei, assim como você fazia quando a gente ia sair de casa e você não sabia onde tinha deixado o meu maço de cigarros...
quinta-feira, 1 de maio de 2008
É a distância entre o quase parecido e o muito igual.
Enquanto eu vou deixando de gostar de você
Os dias vão passando
As unhas vão crescendo
Os cachorros vão latindo e correndo atrás dos dias,
Das ruas,
Das cores que não tem mais.
Enquanto eu vou gostando cada vez menos de você
Os dias vão ficando cada vez mais iguais,
A comida com o mesmo gosto,
E eu com o mesmo rosto.
Enquanto o tempo vai passando,
Eu mais perto dos vinte vou ficando,
Atropelando,
Tropeçando,
Errando.
Eu me lembro de quando nós planejávamos as coisas juntas. De quando decidíamos tudo juntas. Nós íamos estudar juntas, ouvíamos música juntas.
Existem coisas que acontecem por acaso, existem outras que o destino faz por querer.
Todos nós somos como diamantes.
O que dizer quando o oxigênio está acabando?
O que mais se pode fazer?
Agora que está aqui do meu lado de novo, não vou mais deixar você se afastar de mim.
Lá Dentro
"Prefiro as crianças. Pelo menos elas olham diretamente pra mim, perguntam o que é isso na minha boca, se dói, como coloca. Os mais velhos também, com um comentário de que na época deles nem brinco tinha. Os adultos olham de lado, viram o rosto quando eu passo. Sempre mentem, sempre escondem. Um veneno aquilo." (Ônibus, a caminho do trabalho, 6h47m)
Ah, se eu te contasse metade das coisas que passam na minha cabeça, menina, você enlouqueceria cem vezes mais que eu.
De tudo um pouco acontece. Do que já passou, de momentos inteiros ou apenas fragmentos, de lembrancinhas soltas flutuando sem nome. Do que pode acontecer, situações que crio, dos carros que eu compro todo dia, das pessoas que eu conheço na minha imaginação, dos filmes que faço. Do que está acontecendo, milhares de contas e números, da cerveja que me espera no bar, do que vou fazer para jantar, uma nova música...
Tudo se passa tão rápido ali, que nem o mais grosso dos cadernos conseguiria anotar. Nem a mais longa das músicas cantaria uma fração de segundo de um dos meus pensamentos.
Nos personagens dos livros eu coloco rostos, e uma voz para narrar a história.
Para as pessoas eu construo castelos, de acordo com o que cada uma é para mim.
Dou nomes para as pessoas na rua. Dou bom dia ao Sol e boa noite ao apresentador do telejornal. Digo
para minhas mãos que elas precisam de hidratante e para minhas roupas que elas estão velhas.
Pros filmes eu dou seqüência, carrego comigo até os personagens envelhecerem.
No meu mundo cada um é como quero, como faço.
A Fã.
Ela não queria ser só mais um isqueiro na multidão. Ela queria ser percebida ali, queria que a vissem. Tanto esforço, tanta loucura, tanto choro! Ela não podia morrer sem que eles sequer soubessem da sua existência. Mas naquele exato segundo ela era apenas mais uma voz no coro do refrão. As lágrimas escorregavam por suas bochechas enquanto os minutos iam passando. "Por que as músicas são tão curtas? Assim não dá tempo de fazer nada!"
Ela nunca obteve resposta alguma pelas milhares e quilométricas cartas, nem um e-mail. Nem um postal fajuto escrito em computador com a capa do CD da banda, que todo mundo tinha menos ela. "Injustiça", pensava, "elas não sentem nem um quarto do que eu sinto...".
Ela não desistiria. Da última vez não obteve progresso algum: aqueles seguranças enormes e musculosos pareceram nem notar sua existência trêmula e desesperada na porta do camarim. Virar membro do fã-clube também não adiantou. "Mentirosos. Tenho que me lembrar de sair daquilo, estive gastando dinheiro à toa..."
Enquanto ela pensava em alguma coisa, metade do show já tinha corrido e ela ainda era apenas uma molécula no meio da massa de pessoas espremidas, forçando um passo a mais na direção do palco. Ela tinha viajado por horas em uma excursão para um estado vizinho, e era a pura esperança que havia em seu coração que a mantinha em pé ainda.
Tinha uma pasta preta gorda, dessas de plasticozinhos, que já não cabia mais nada. Muitas fotografias tremidas, tiradas de longe, de quatro pessoas quase indistinguíveis a não ser a dedução pelo enorme telão que passava escrito o nome da banda, quase que por acaso, uma confirmação. Muitos tickets e ingressos de shows que ela já tinha ido. Guardanapos, canetas, e folhetos daquela tarde de autógrafos que ela não conseguiu nem chegar perto deles, e o máximo que conseguiu foram essas relíquias, que eram mais psicológicas do que reais, uma vez que ela não tinha certeza se foram usados ou tocados por eles realmente. Um autógrafo que ela comprou pela internet, dedicado à uma tal de Fernanda, mas o nome não importava. Aquele era legítimo, ela sabia, a letra era dele mesmo. Um pedaço rasgado de uma toalhinha de rosto que ela teve de lutar barbaramente com outras mulheres para conseguir. Tinha caído do palco quase na mão dela, mas quando as outras viram avançaram ferozmente em cima dela, loucas pelo objeto precioso. Com alguns arranhões, um pouco de sangue e muito suor, ela ainda conseguiu ficar com boa parte da toalha. Muitos recortes de revistas e pôsteres que são vendidos em bancas de jornal, baratos, mas também faziam parte da coleção. Dos CD's nem é preciso falar, ela tinha todos, claro.
Num impulso e com uma força descomunal que nem ela mesma sabia de onde vinha, ela avançou firmemente rumo ao palco. Nem sabia o que estava fazendo mas deixou suas pernas seguirem sozinhas para ver até onde iriam.
Não demorou até chegar nas grades que separam o público do palco e ela subiu como se fosse uma ginasta. No topo da grade e com os seguranças já começando a se agrupar abaixo dela, pulou. Nem pensou: achou que poderia voar até o palco ou qualquer outra idéia absurda. Até mesmo com o barulho alto do som pôde-se ouvir ela caindo de cara no chão num baque surdo. A distância era muito grande para ela conseguir chegar no palco, pelo menos. O som parou e os seguranças vieram correndo. Para ela era tudo muito confuso, as imagens misturando, o gosto de sangue na boca. Ela abriu os olhos e viu ele, o rosto aflito, com sua voz musical perguntando "você está bem?". E ela, com um sorriso avermelhado, fechou os olhos, tudo escureceu.
Ela se queria ser perfeita.
Ela sempre quis ser diferente.
Ela tinha o nome diferente, o cabelo diferente, se esforçava para aparecer, para se destacar.
Também, com as duas irmãs lindas e cobiçadas... Isso ofusca qualquer pessoa. Não que fosse feia, isso nunca achou. Mas desejava ser anormal.
Ser lembrada por algum motivo, um bom motivo.
Ela tinha muitas manias engraçadas. Ela gostava de fumar no banheiro. Gostava de sentir o cheiro das pessoas, e diferenciá-las por isso. Ela gostava de escrever ao contrário, gostava de contar piadas, de fazer as pessoas rirem dela. Ela gostava muito de conversar com os bichos e, sobretudo, de conversar com ela mesma. Tinha horas e horas de enérgicas conversas sobre tudo que é assunto consigo mesma, e nunca faltava sobre o que dialogar. Ela tinha muitos amigos imaginários com nomes americanos e sempre cultivou um certo interesse por línguas estrangeiras. Ela sempre gostou de tecnologia, e tudo começou com uma calculadora que seu pai tinha. Ela gostava de consertar e limpar as coisas, e achava também que podia consertar as pessoas. Ela achava que era um cupido e que poderia juntar casais que julgava parecidos. Ela queria saber o que tinha além do limite de onde os olhos podiam ver em cima da mais alta árvore do quintal. Ela queria ser alta, médica, dentista, esportista, cantora, desenhista, e professora.
Tinha uma memória enorme e um catálogo gigantesco de tudo que já tinha visto ou ouvido, de tudo que julgava importante. Ela nunca soube falar direito, nunca conseguiu ensinar nada direito. Se ela aprendia com tanta facilidade, por que era tão difícil para as outras pessoas?
Ela queria ser ouvida, e como não lhe foi dado o dom das palavras, ela desenhava para ser ouvida. Cantava para ser ouvida , escrevia para ser ouvida. Não adiantou. Então passou a pensar que se fosse outra pessoa as pessoas parariam para escutá-la. E ela se tornou outra pessoa.
Ela se escondeu muito bem escondido em algum dos quartos que existem dentro dela. E saiu, confiante, de cara nova para o mundo.
Ela nunca mentia, sempre foi sincera.
Ela sempre tentou agradar as pessoas, ela sempre semeou o bem. E ela sonhava, ah!, como ela sonhava. Sempre sonhou, desde que se lembra.
Ela sempre foi muito curiosa. Ela gosta de aprender.
Ela está sempre apaixonada, seja pela mesma pessoa, seja por várias pessoas.
Ela gosta de fazer amigos, ela gosta de ser amiga.
Ela vive num mundo que ela criou. Um mundo só dela, e só entra quem ela permitir. Quem conseguir.
Ela não esquece.
De nada, jamais.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Ingratidão.
Sempre me foi de bom grado qualquer coisinha, qualquer alegriazinha.
Eu só tenho me tornado um pouco mais... exigente.
Minhas crises de ansiedade pioraram muito essa semana. Qualquer ventinho eu transformava em uma terrível tempestade. Uma coisa que eu não posso controlar. E haja cigarros! Se eu ainda tinha pulmão, eu acabei de acabar com ele.
É essa sensação de que algo vai acontecer que me perturba. Sabe quando você é criança um dia antes do seu aniversário e não consegue dormir? Nem comer, nem andar, nem ficar sentada, sem nada.
Respiro fundo, e dá um frio na barriga. Caralho, o que pode ser?! Ansiedade, sensações, curiosidade por estar sentindo isso, descontrole completo, tente pensar em outra coisa. Inspira, respira...
É hora de pensar: o que me acalma?
.Cigarros: ok, já estamos exagerando por hoje.
.Música: lenta demais, bombante demais, muito grito, muito barulhinho, esse baixo que não para de dedilhar, esse cara acha que sabe cantar...
.Escrever: nesse momento não está funcionando.
.Ler: Harry Potter idiota, vira homem!
.Desenhar: ha-há.
Ah! Idioteque - Radiohead, isso! Sempre funciona...
Vim aqui para falar de sonhos. Eles são ou não uma extensão do que a pessoa deseja? Eles podem ou não representar alguma coisa?
Eu estou sonhando, há pelo menos três semanas com a mesma coisa. As mesmas coisas. Sonhar pra mim é normal, sempre foi.
Mas vem cá, o mesmo sonho? Não me lembro de ter acontecido isso antes. Tão reais, tão vivos, tão fortes. Acordo transpirando, com a cama molhada e com a sensação de terem jogado a minha alma de volta no corpo, celular tocando, estou atrasada.
É engraçado você sonhar com alguém e depois ver essa pessoa. Você olha pra ela, meio sem graça, pensando se ela sabe ou não que você sonhou. Ou com a sensação de que aquilo aconteceu mesmo...
Sonhar que alguém morreu e telefonar, meio preocupada, pra saber se está tudo bem mesmo.
Sonhar com pessoas estranhas, com nomes estranhos. Sonhar com uma pessoa que acha que nunca viu na vida, e quando você vai na padaria e olha pra moça que está no caixa...
Hoje é sexta-feira, e eu estou estranha.
E deixa eu ficar calada aqui e morrer de ansiedade. Esperar mais um pouco por algo acontecer que eu não faço a mínima idéia do que seja.
E sejam bons meninos, sempre.
Gastar ou não gastar.
E eu estou me preparando psicologicamente para voltar ao XP. Oh, céus! Deixar meu lindíssimo Vista, coloridinho e organizadinho para a idade da pedra do XP.
O problema é que o Vista tem muitos 'fricotes' e muitos erros de sistema ainda (assim como o XP, com tanto tempo, ainda tem) e isso deixa tudo muito lento. É um processo, mas ultrapassaremos essa barreira, certo?
O assunto de hoje, na verdade, é dinheiro. Gastar ou juntar: eis a questão. Eu vou pelo lado capitalista. Sou consumista sim, e acho isso perfeitamente normal. Tenho medo dessas pessoas que conseguem juntar dinheiro. Dinheiro é um bicho selvagem, indomesticável, que não consegue viver preso. Quanto mais dinheiro vai, mais vem. É lei do dar e receber. Já ouviu falar que se fizer uma boa ação, de coração, terá tudo em dobro? Eu gasto de coração. Por paixão.
Não me privo dos meus pequenos luxos para ter uma montanha de dinheiro no final. E depois, quando eu tiver 35 anos e uma conta gorda, o que eu faço? Compro uma máquina do tempo e volto para viver o que eu não vivi por que eu tinha que guardar dinheiro? É sim, e você sabe que é.
E não, não me venha falar que eu posso me divertir sem dinheiro. Eu sei que isso é possível, mas tente sair de casa um dia sem um centavo no bolso, sem cigarros e sem nada, e depois venha conversar comigo. Se você falar que se divertiu, eu vou acreditar que você tem amigos bem legais que pagam pra você. Do programa básico ao superdancerockparty, você gasta. Ou $3,25 pro Carlton, ou $2 pro festival beneficiente, ou $1,75 pro ônibus, baby, você vai gastar.
O mundo é uma máquina, e seu combustível é o dinheiro.
É assim.
Meus queridos! Aproveitem o Ensino Médio, as manhãs preguiçosas na escola, os amigos que você vê todo dia e acima de tudo: aproveitem seus pais. Sua mãe, avó, tia, madrasta ou quem quer que seja não vai ficar ali pra sempre lavando a sua roupa e fazendo almoço pra você. E você não vai ter pra sempre o seu pai pra adular pra conseguir aquele dinheirinho no final de semana ou aquela coisinha que você viu na loja e era o último. Adie o sonho adolescente de sair de casa e morar sozinho porque se fizer isso uma única vez, as coisas vão mudar drasticamente. E pode voltar pra casa, por que isso não vai mudar. A partir desse ponto você rompe o hímen da adultecência, e não dá mais pra colar de volta. E, mesmo ainda se você voltar pra casa e eles não te fizerem pagar, trabalhar, estudar ou limpar a casa, será uma constante tortura psicológica sobre como você é um vagabundo e não ajuda nada em casa. E se você voltar pra casa e eles não falarem nada e deixarem tudo numa boa, corra, você tem pais alienígenas.
Mas entendam, não é tão ruim assim.
Um dia você vai acordar e se assustar com a sua responsabilidade (que seus pais juravam que não você não tinha, e você também não). Ou então você vai acordar com uma profunda dor de cabeça sobre o aluguel, que está atrasado. A pseudo-liberdade tem um gosto bom, e dizer que você faz o que quiser por que é você que paga todas as suas contas é incrível. Mas daí é uma longa escadaria que terá que subir, e como toda escadaria começa pelo primeiro degrau... Mas isso é outro assunto.
Enfim, viveremos. Com dinheiro ou sem dinheiro, com escadas ou sem, com Vista ou com XP.
